O BEIJO NO ASFALTO - NELSON RODRIGUES
CURITIBA, 17 DE JUNHO DE 2015.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E
ARTES
CURSO BACHAREL EM
TEATRO
DENISE FRANÇA
BEIJO NO ASFALTO
(NELSON RODRIGUES)
Escrita em apenas 21 dias, a peça O Beijo no Asfalto foi inspirada na
história de um repórter do jornal “O Globo”. Pereira Rego, que foi atropelado
por um arrasta-sandália, espécie de ônibus antigo. No chão o velho jornalista
percebeu que estava perto da morte e pediu um beijo a uma jovem que tentava
socorrê-lo.
Nelson
Rodrigues mudou um “pouquinho” a
história. Na trama do dramaturgo, o
atropelado da praça da Bandeira pede um beijo a Arandir, figura jovem e de
coração puro e atormentado. Amado Ribeiro, repórter do jornal “Última Hora”
retratado por Nelson no folhetim Asfalto Selvagem , presencia o beijo na boca
entre os dois homens e, junto com o delegado corrupto, Cunha, transforma a
história do último desejo de um agonizante em manchete principal. O
sensacionalismo da “Última Hora” muda completamente a história, retratando
Arandir como um criminoso que empurrou o amante e depois o beijou. A vida do
jovem se transforma num inferno e nem mesmo sua mulher acredita que ele é
inocente.
ENREDO
Tudo começa
quando Amado Ribeiro assiste a uma cena inusitada na rua: um rapaz (Arandir)
corre até um homem caído junto ao meio-fio e beija-o na boca. Vê aí a a
oportunidade de um artigo sensacionalista para o seu jornal. Dirige-se à
delegacia e convence o delegado a interrogar o autor do beijo. Ele pretende
transformar o episódio em algo que venda seu jornal. Aliado ao chefe de
polícia, força o rapaz a um interrogatório e publica foto e noticiário
escandaloso sobre ele. Arandir é humilhado no serviço; sua mulher sequestrada
pelo delegado, que a interroga e a deixa nua; os vizinhos se voltam contra
Arandir.
Apavorado,
ele foge e esconde-se num hotel. Paralelamente, ocorre a desestruturação da
família. Diante das notícias e dos boatos, até os familiares de Arandir começam
a acreditar na versão da imprensa. Forçado por Selminha, seu pai, Aprígio,
procra o repórter e o encontra bêbado. A filha acusa o pai de não gostar do
genro.
Arandir
revela seu paradeiro à mulher e quer que ela vá ao seu encontro. Esta,
envergonhada, dele, nega-se a ir. Sua irmã decide ficar com ele. Surge o sogro,
Aprígio, que expulsa a filha e também se declara apaixonado pelo genro,
confessando ter ficado morte de ciúmes por vê-lo beijar outro homem. (Arandir
alegara desde o início que só fizera aquilo porque o moribundo lhe pedira e se
sentira na obrigação de atender ao seu último pedido....). Desvairado, Aprígio
atira no genro e o mata.
PERSONAGENS
Arandir –
jovem funcionário de rerpartição, recém-casado, ingênuo e aparentemente
bondoso.
Aprígio –
sogro de Arandir e viúvo.
Amado
Ribeiro – jornalista inescrupuloso e oportunista, ávido por manchetes
retumbantes, ainda que forjadas.
Cunha –
delegado viomento e estúpido, dominado pelo repórter.
Selminha –
mulher de Arandir, ingênua e insegura.
Dália – irmã
mais jovem de Selminha, apaixonada pelo cunhado.
GRUPO DE
APRESENTAÇÃO:
ARANDIR – DIRCEU SILVA
DELEGADO – HELENO HONH
APRÍGIO – DENISE FRANÇA
SELMINHA – YNAÊ CALADO
DÁLIA – DANIELY SAMPAIO
APRESENTAÇÃO:
Nossa
apresentação será realizada em cinco Atos.
PRIMEIRO ATO: O
atropelamento e a morte do sujeito no asfalto. Seguida pelo personagem Arandir
que dará o beijo no acidentado. E com duas testemunhas: o Delegado, e o sogro
de Arandir, Aprígio.
SEGUNDO ATO: O Delegado corrupto, Cunha, tenta extorquir
dinheiro de Arandir.
TERCEIRO ATO: A
separação de Arandir e sua esposa. Movida pelo sentimento de desilusão em razão
das notícias de Arandir no jornal, Selminha se separa violentamente dele.
QUARTO ATO:
Arandir foje da polícia porque está sendo acusado de assassinato
injustamente. Encontra-se num quarto, sozinho e solitário. Chega então Dália,
sua cunhada. Dália vai até Arandir para se declarar e prometer amor eterno.
QUINTO ATO: O sogro de Arandir, Aprígio, chega no local,
e vê o que está acontecendo com Arandir e Dália. Morrer de ciúmes, então
dispara três tiros em Arandir, que cai no chão. Ao mesmo tempo, corre para
socorrê-lo porque viera ali também para declarar seu amor a Arandir. Se joga no
chão, e dá um beijo na boca de Arandir, antes que ele morra....
FIM.
POR DENISE FRANÇA
Aprígio é um
homem reservado, moralista, estúpido, que esconde por trás, uma linda mulher,
apaixonado por Arandir, seu cunhado.
No primeiro
ato, Aprígio aparece sendo testemunha do beijo que Arandir dá no acidentado.
DESCRIÇÃO
DOS MOVIMENTOS: Idas e voltas na raia,
indicando correria, movimento, suspensão. Logo após o ruído da freiada, e o
baque, Aprígio faz movimentos com o corpo indicando reverberação do som. Com o
corpo todo.
SEGUNDO
ATO: Faço um personagem de figuração, na
cela, batendo a caneca nas grades, deslizando, puxando, escorregando.
TERCEIRO
ATO: Uso a parede, desloco o corpo sobre
a parede, deslizando, movimentos com várias partes, ao mesmo tempo em que sou
testemunha da briga entre Arandir e sua mulher.
QUINTO ATO:
Chego ao mesmo tempo em que Dália, cunhada de Arandir, chega e se declara para
ele. Vejo a cena, fico com ciúmes e dou 3 tiros em Arandir, que cai no chão,
corro em sua direção, e lhe dou um beijo na boca. Movimento, contato
improvisação, e escrita universal.
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