TREINAMENTO CORPORAL DO ATOR: CONSTANTIN STANISLAVSKI
CURITIBA, 21 DE MARÇO DE 2015.
Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Escola de Comunicação e Artes
Curso Bacharel em Teatro
Anderson Barros Glow
Denise França
Eduardo Neto
Emerson Moreira Miranda
Igor Basani
Maria das Graças Suardi
Patrícia Waltrick
Victor Dezute
Victor Dezute
Ynaê Calado
CONSTANTIN STANISLAVSKI. Nasceu na Rússia, em 1863. Fundou o Teatro Popular de Arte (Teatro de Arte de Moscou), em 1897, com Vladimir Danchenko. OBRAS PRINCIPAIS: A preparação do ator, A construção do Personagem, O ator e seu papel. Morreu a 7 de agosto de 1938, em Moscou.
A obra de Constantin Stanislavski, ator, diretor, dramaturgo
e escritor, é fundamental para a compreensão do treinamento corporal do ator, a
técnica necessária, os caminhos a serem seguidos. O “sistema de Stanislavski” nasceu
desta necessidade primeira.
O
primeiro aspecto a ser abordado, o instrumento cênico do ator: corpo, voz e
emoção. O segundo, o ato criativo propriamente dito, a criação de um papel
específico na encenação.
Com o
método e o sistema de Stanislavsi, aprendemos que existem fundamentos nesta
arte do Teatro e que estamos falando de uma linguagem que lhe é peculiar. Desta mesma forma, com o
seu método, Stanislavski coloca a figura do diretor, imprescindível no
desenvolvimento do teatro.
Se o
instrumento do ator é seu próprio corpo, voz, emoção, ele precisa se
auto investigar, passando pela experimentação, um laboratório dramático-teatral,
com jogos, improvisações, exercícios específicos e mantendo uma atitude
reflexiva sobre aquilo que está fazendo, crítica e analítica do seu processo.
Além
de si mesmo, o ator faz parte de um grupo cênico, e as relações com o outro
estão a todo momento sendo reavaliadas. Portanto, nesse modo e nessa prática existe uma operacionalização que acontece o
tempo todo.
Segundo
Stanislavski: “As leis da natureza se impõem a todos. Ai daquele que as
infringir.” (Preparação do ator, p.297, STANISLAVSKI). Significando que o ator
deve viver suas experiências, utilizar seus índices pessoais na criação do
personagem, no papel, e deixando de lado a artificialidade dos tipos, trejeitos,
clichês, estereótipos.
Viver
as próprias experiências demanda que o ator se utilize de seu próprio arsenal,
ou seja, seus desejos, sentimentos, emoções, sensações, tudo aquilo que por acaso brote de seu mundo particular.
Esse ato natural faz com que o seu inconsciente, ao longo de suas práticas,
brote e se manifeste espontaneamente. E é exatamente essa IMERSÃO NO INCONSCIENTE, o que o
mestre STANISLAVSKI propõe.
“abrem-se os olhos de sua alma e ele se
apercebe de tudo (...). Tem consciência de novos sentimentos, concepções,
visões, atitudes, tanto no papel, como em si próprio.” (p.93. A criação de um
papel. STANISLAVSKI).
Mas o caminho para se chegar a isso é através de
práticas conscientes, ou seja, a vida física do papel, as ações físicas feitas
corretamente, geram os sentimentos espontâneos. Esse programa de trabalho exige
do ator força de vontade, determinação, e tem por objetivos ajudar o ator a
descobrir os obstáculos e ultrapassa-los; o ator precisa aprender por meio de
um exemplo prático vivo; descobrir suas capacidades físicas, intelectuais,
emocionais e espirituais; induzir ás forças da
natureza que não estão ao alcance por meios normais e naturais; retirar
todas as tendências à atuação mecânica, exagerada; preservar a alteridade
criativa do ator
O
ator precisa começar reaprendendo tudo, a andar, a olhar, a falar. Para isso é
necessário disciplina, reservas físicas e nervosas, preparo e controle da
aparelhagem físico-vocal. O ator deve
estar presente naquilo que executa, ter absoluta consciência do que faz. No
gesto, o ator precisa buscar a forma humana de dizer, não a forma teatral,
artificial. Na fala, falar com os olhos, a boca, os orelhas, a ponta do nariz,
ou movimentos quase imperceptíveis, com o corpo todo.
São
as práticas de Stanislavski: relaxamento, exercícios de acrobacia, ginástica e
atletismo, dança e ginástica rítmica, agarradores, tempo e ritmo, dicção e
canto, observação, concentração, memória, improvisação e imaginação, comunhão,
correntes invisíveis.
No
relaxamento, despojar-se das tensões musculares. O exercício acrobático ajuda
na agilidade e reflexos. A ginástica, movimentos definidos. Fluência e
cadência. Tempo e ritmo nas percepções diárias, olfato, olhar, audição,
respiração, usando palmas ou metrônomos. Tornar a palavra expressiva através da
repetição, acentuação, pausas, etc. Na observação, o ator deve perceber com
mais acuidade o mundo que o cerca, objetos e pessoas, suas próprias reações. A
concentração desenvolvida através de um foco de energia. Trabalhar a memória
das emoções, evocando sentimentos já experimentados.
Na
improvisação, seguir as premissas lógicas como o tempo, onde, por quê, como,
para desenvolver uma atividade. Na
comunhão, exercitar a troca de sentimentos, pensamentos e ações; a auto comunhão
através do sentimento de si mesmo, e viver seu mundo interior; também a
comunhão com os objetos do mundo, extraindo deles sua particularidade e
relacionando-a a si próprio.
Nesse sentido, o sistema criado por Stanislavski deu início a tudo o que virá mais tarde, como precursor. O teatro adquire uma linguagem e sua peculiaridade graças a ele. E assim devemos entender tudo aquilo que pertence ao teatro, um processo, um sistema, uma linguagem cênica.
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