SEMINÁRIO: CONSTANTIN STANISLAVSKI
SEMINÁRIO:
CONSTANTIN
STANISLAVSKI. Nasceu na Rússia, em 1863. Fundou o Teatro Popular de Arte
(Teatro de Arte de Moscou), em 1897, com Vladimir Danchenko. OBRAS DE
REFERÊNCIA: A preparação do ator, A construção do Personagem, El trabajo
Del actor sobre su papel. Morreu
a 7 de agosto de 1938, em Moscou.
A
obra de Constantin Stanislavski, ator, diretor, dramaturgo e escritor, é
fundamental para a compreensão do treinamento corporal do ator, a técnica
necessária, os caminhos a serem seguidos. O “sistema de Stanislavski” nasceu
desta necessidade primeira.
O
primeiro aspecto a ser abordado, o instrumento cênico do ator: corpo, voz e
emoção. O segundo, o ato criativo própriamente dito, a criação de um papel
específico na encenação.
Com
o método e o sistema de Stanislavsi, aprendemos que existem fundamentos nesta
arte do Teatro e que estamos falando de uma linguagem que lhe é peculiar. Desta mesma forma, com o
seu método, Stanislavski coloca a figura do diretor, imprescindível no
desenvolvimento do teatro.
Se o
instrumento do ator é seu próprio corpo, voz, emoção, ele precisa se
autoinvestigar, passando pela experimentação, um laboratório dramático-teatral,
com jogos, improvisações, exercícios específicos e mantendo uma atitude
reflexiva sobre aquilo que está fazendo, crítica e analítica do seu processo.
Além
de si mesmo, o ator faz parte de um grupo cênico, e as relações com o outro
estão a todo momento sendo reavaliadas. Portanto, nesse modo e nessa prática existe uma operacionalização que acontece o
tempo todo.
Segundo
Stanislavski: “As leis da natureza se impõem a todos. Ai daquele que as
infringir.” (Preparação do ator, p.297, STANISLAVSKI). Significando que o ator
deve viver suas experiências, utilizar seus índices pessoais na criação do
personagem, no papel, e deixando lado a artificialidade dos tipos, trejeitos,
clichês, estereótipos.
Viver
as próprias experiências demanda que o ator se utilize de seu próprio arsenal,
ou seja, seus desejos, sentimentos, emoções, sensações, tudo aquilo que por acaso brote de
seu mundo particular e se manifeste espontaneamente. Esse ato natural faz com que o seu
inconsciente, ao longo de suas práticas, brote e se manifeste. E é exatamente
essa IMERSÃO NO INCONSCIENTE, o que o mestre STANISLAVSKI propõe.
“abrem-se
os olhos de sua alma e ele se apercebe de tudo (...). Tem consciência de novos
sentimentos, concepções, visões, atitudes, tanto no papel, como em si próprio.”
(p.93. A criação de um papel. STANISLAVSKI).
Mas
o caminho para se chegar a isso, é através de práticas conscientes, ou seja,a
vida física do papel, as ações físicas feitas corretamente, geram os
sentimentos espontâneos. Esse programa de trabalho exige do ator força de
vontade, determinação, e tem por objetivos ajudar o ator a descobrir os
obstáculos e ultrapassa-los; o ator precisa aprender por meio de um exemplo
prático vivo; descobrir suas capacidades físicas, intelectuais, emocionais e
espirituais; induzir ás forças da
natureza que não estão ao alcance por meios normais e naturais; retirar
todas as tendências à atuação mecânica, exagerada; preservar a alteridade
criativa do ator
O
ator precisa começar reaprendendo tudo, a andar, a olhar a falar. Para isso é
necessário, disciplina, reservas físicas e nervosas, preparo e controle da
aparelhagem físico-vocal. O ator deve
estar presente naquilo que executa, ter absoluta consciência do que faz. No
gesto, o ator precisa buscar a forma humana de dizer, não a forma teatral,
artificial. Na fala, falar com os olhos, a boca, os orelhas, a ponta do nariz,
ou movimentos quase imperceptíveis, com o corpo todo.
São
as práticas de Stanislavski: relaxamento, exercícios de acrobacia, ginástica e
atletismo, dança e ginástica rítmica, agarradores, tempo e ritmo, dicção e
canto, observação, concentração, memória, improvisação e imaginação, comunhão,
correntes invisíveis.
No
relaxamento, despojar-se das tensões musculares. O exercício acrobático ajuda
na agilidade e reflexos. A ginástica, movimentos definidos. Fluência e
cadência. Tempo e ritmo nas percepções diárias, olfato, olhar, audição,
respiração, usando palmas ou metrônomos. Tornar a palavra expressiva através da
repetição, acentuação, pausas, etc. Na observação, o ator deve perceber com
mais acuidade o mundo que o cerca, objetos e pessoas, suas próprias reações. A
concentração desenvolvida através de um foco de energia. Trabalhar a memória
das emoções, evocando sentimentos já experimentados.
Na
improvisação, seguir as premissas lógicas como o tempo, onde, por quê, como,
para desenvolver uma atividade. Na
comunhão, exercitar a troca de sentimentos, pensamentos e ações; a autocomunhão
através do sentimento de si mesmo, e viver seu mundo interior; também a
comunhão com os objetos do mundo, extraindo deles sua particularidade e
relacionando-a a si próprio.
Nesse sentido, o sistema criado por Stanislavski deu início a tudo o que
virá mais tarde, como precursor. O teatro adquire uma linguagem e sua
peculiaridade graças a ele. E assim devemos entender tudo aquilo que pertence
ao teatro, um processo, um sistema, uma linguagem cênica.
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