COMO O TEATRO TRABALHA COM A TRISTEZA - DENISE FRANÇA
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E
ARTES
CURSO BACHAREL EM
TEATRO
Denise França
Email: franca.denise08@yahoo.com.br
O HOMEM NÃO ACEITA
MAIS FICAR TRISTE: COMO O TEATRO TRABALHA COM A TRITEZA
O texto de Miguel
Chalub coloca a emoção humana, uma das emoções vitais no ser humano, a
tristeza, frente a esse paredão da cultura de morte, ou da cultura neoliberal e
tudo aquilo que ela representa atualmente.
Por que a tristeza é uma emoção vital ao ser humano? A
tristeza brota no ser humano naturalmente face uma situação de morte de um ente
querido, separação, perdas. A tristeza não é um organismo isolado que
simplesmente aparece no decorrer de qualquer acontecimento. A tristeza é uma
emoção decorrente de um acontecimento histórico na vida de um sujeito. Existem
n fatores relacionados a esse momento, e nem assim a tristeza é um produto
isolado daquele sujeito, porque é um fenômeno e uma manifestação que se dá do
indivíduo para outro indivíduo.
Se chegamos a um consultório médico, e o psiquiatra, isola
esta “tristeza”, como sendo uma produção do organismo deste sujeito, e somente
isto e receita a esse sujeito um remédio para atenuar essa tristeza, ou dar-lhe
acabamento, isso sim é muito “triste”. E infelizmente, como o artigo de Miguel
Chalub deixa bem claro, todos os fatores que envolvem a tristeza no mercado
farmacêutico.
A tristeza, em seu sentido pleno, a do SER, do ente, do
humano, esta deve ser vivida, suportada, dita, sublimada,
assimilada, com outra função
própria ao ser humano, o tempo, o espaço, o lugar. Só assim elevaremos este
sentimento, esta emoção a sua categoria de verdade. E este ser humano que vive
a sua tristeza, ao seu papel de homem sapiens. O homem intervindo e produção
condições de suporte e entendimento, elaboração e produção de sentido a partir
daquilo que ele sente, daquilo que ele vivencia.
NO teatro, não trabalhamos com mentiras. Muitos se enganam
quando imaginam que no teatro nós fazemos mentira. Muito pelo contrário, para
representar uma emoção como a tristeza, muito trabalho a ser feito, com o nosso
corpo, através do nosso corpo, espírito e mente, para re-apresentar esta
tristeza através deste personagem.
Nesse sentido, o teatro pode sim construir e desconstruir um construto lógico, e torna-lo acessível através da linguagem. Porque tudo
aquilo que passa a ser dito, porque eu sofro, de onde vem este sofrimento,
quais as suas quirelas, quais os seus modos, como vivo este sofrimento, só
assim posso entender melhor, canalizar de forma adequada, e produção um outro
sentido a partir dele mesmo. E todo vez
que o ser humano reproduz o mesmo ato, ou uma emoção, ele inventa, ele se
coloca como agente, não mais como ser passivo, sofredor, queixoso.... ele
torna-se testemunha e provedor de uma verdade coletiva, que passa a ter um sentido pleno, histórico.
Os remédios podem atenuar a dor, em casos extremos, mas
jamais o ser humano deixará a sua humanidade. O ser humano jamais poderia por
fora o seu ser em si. Por mais que ele
tente, produzirá sempre um sintoma, um duplo dele mesmo. As almas jamais poderão habitar os sistemas
ou a maquinaria da tecnologia que este ser fábrica em sua inteligência.
O teatro produz desta cena, assim como as histéricas em seu
ato, trauma, abriam uma lacuna a seu interlocutor, o analista, o terapeuta,
assim também em cena, o teatro propicia não só a catarse de muitos sentimentos,
mas uma elaboração secundária, privilegiada enquanto arte.
Denise
França.
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