COMO O TEATRO TRABALHA COM A TRISTEZA - DENISE FRANÇA

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES
CURSO BACHAREL EM TEATRO

Denise França

O HOMEM NÃO ACEITA MAIS FICAR TRISTE: COMO O TEATRO TRABALHA COM A TRITEZA

 O texto de Miguel Chalub coloca a emoção humana, uma das emoções vitais no ser humano, a tristeza, frente a esse paredão da cultura de morte, ou da cultura neoliberal e tudo aquilo que ela representa atualmente.
Por que a tristeza é uma emoção vital ao ser humano? A tristeza brota no ser humano naturalmente face uma situação de morte de um ente querido, separação, perdas. A tristeza não é um organismo isolado que simplesmente aparece no decorrer de qualquer acontecimento. A tristeza é uma emoção decorrente de um acontecimento histórico na vida de um sujeito. Existem n fatores relacionados a esse momento, e nem assim a tristeza é um produto isolado daquele sujeito, porque é um fenômeno e uma manifestação que se dá do indivíduo para outro indivíduo.
Se chegamos a um consultório médico, e o psiquiatra, isola esta “tristeza”, como sendo uma produção do organismo deste sujeito, e somente isto e receita a esse sujeito um remédio para atenuar essa tristeza, ou dar-lhe acabamento, isso sim é muito “triste”. E infelizmente, como o artigo de Miguel Chalub deixa bem claro, todos os fatores que envolvem a tristeza no mercado farmacêutico.
A tristeza, em seu sentido pleno, a do SER, do ente, do humano, esta deve ser vivida, suportada, dita, sublimada,                                                                                                                                assimilada,  com outra função própria ao ser humano, o tempo, o espaço, o lugar. Só assim elevaremos este sentimento, esta emoção a sua categoria de verdade. E este ser humano que vive a sua tristeza, ao seu papel de homem sapiens. O homem intervindo e produção condições de suporte e entendimento, elaboração e produção de sentido a partir daquilo que ele sente, daquilo que ele vivencia.
NO teatro, não trabalhamos com mentiras. Muitos se enganam quando imaginam que no teatro nós fazemos mentira. Muito pelo contrário, para representar uma emoção como a tristeza, muito trabalho a ser feito, com o nosso corpo, através do nosso corpo, espírito e mente, para re-apresentar esta tristeza através deste personagem.
Nesse sentido, o teatro pode sim construir e desconstruir um construto lógico, e torna-lo acessível através da linguagem. Porque tudo aquilo que passa a ser dito, porque eu sofro, de onde vem este sofrimento, quais as suas quirelas, quais os seus modos, como vivo este sofrimento, só assim posso entender melhor, canalizar de forma adequada, e produção um outro sentido a partir dele mesmo.  E todo vez que o ser humano reproduz o mesmo ato, ou uma emoção, ele inventa, ele se coloca como agente, não mais como ser passivo, sofredor, queixoso.... ele torna-se testemunha e provedor de uma verdade coletiva, que  passa a ter um sentido pleno, histórico.
Os remédios podem atenuar a dor, em casos extremos, mas jamais o ser humano deixará a sua humanidade. O ser humano jamais poderia por fora  o seu ser em si. Por mais que ele tente, produzirá sempre um sintoma, um duplo dele mesmo.  As almas jamais poderão habitar os sistemas ou a maquinaria da tecnologia que este ser fábrica em sua inteligência.
O teatro produz desta cena, assim como as histéricas em seu ato, trauma, abriam uma lacuna a seu interlocutor, o analista, o terapeuta, assim também em cena, o teatro propicia não só a catarse de muitos sentimentos, mas uma elaboração secundária, privilegiada enquanto arte.


                                                           Denise França.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TREINAMENTO CORPORAL DO ATOR: CONSTANTIN STANISLAVSKI

O BEIJO NO ASFALTO - NELSON RODRIGUES

AULA INAUGURAL 2015 - MOVIMENTO PARA CENA II